No alto do céu, muito acima dos pássaros, ficava a Oficina do Sono. Lá, a costureira Lú trabalhava nas nuvens mais fofas do mundo. Mas ela não usava linha e agulha comuns. Seu fio era feito de suspiros tranquilos e sua agulha, de um raio de lua.
Cada noite, Lú observava as crianças na Terra. Quando uma delas tinha um dia especial – como aprender a amarrar o cadarço, ou compartilhar seu lanche, ou rir até a barriga doer –, um pequeno brilho dourado saía de seu coração e subia até a oficina.
Lú capturava esses brilhos com suas mãos gentis.
— Ah, este é um brilho de coragem! — dizia ela, enrolando o fio cintilante. — Perfeito para reforçar os cantos de um travesseiro.
— E este aqui é um brilho de amizade. Tão macio... vai virar o enchimento do edredom.
Ela costurava e bordava, transformando os bons sentimentos em cobertores aconchegantes e nuvens de sonho. Trabalhava em silêncio, cantarolando uma canção sem palavras que soava como o farfalhar do vento na folhagem.
Numa certa noite, o menino Tomás estava inquieto. Tinha brigado com seu amigo e seu coração parelate pequeno e encolhido. Ele olhou pela janela, para o céu escuro.
— Senhora Lú — sussurrou, sem saber ao certo porquê. — Acho que não tenho nenhum brilho para você hoje.
Do alto, Lú ouviu. Sorriu, pegou um fio prateado feito de "segundas chances" e uma grande pluma de "ternura guardada". Trabalhou rápido, com dedos ágeis.
Pouco depois, uma nuvem extra macia e leve desceu silenciosamente pelo céu. Ela envolveu Tomás com uma sensação de paz tão profunda que seu coração desabrochou novamente. Em seus sonhos, ele via a si mesmo estendendo a mão para o amigo, e ambos riam.
Ao amanhecer, Tomás acordou com o coração leve. E lá fora, no céu cor-de-rosa, via-se uma nuvem com o formato de dois ursinhos de mãos dadas.
Moral da História: Até nos dias mais difíceis, nós produzimos sentimentos bons que podem se transformar em conforto e recomeços.