Na costa de uma ilha coberta de pinheiros, havia uma praia especial. Suas conchas não estavam vazias; guardavam dentro de si os sonhos mais doces do oceano. E quem cuidava delas era um velho caranguejo-eremita chamado Cássio, que carregava em suas costas uma concha cravejada de madrepérola.
Todas as tardes, ao pôr do sol, Cássio percorria a faixa de areia com seus passos laterais e cuidadosos. Ele parava diante de cada concha, encostava sua pinha e escutava. Cada uma tinha um sussurro diferente:
— Ondas azuis e vela ao vento… — sussurrava uma concha espiralada.
— Castelos de areia com torres altas… — sussurrava uma concha lisa e branca.
Certa noite, Cássio encontrou Leo, um menino que estava sentado na areia, encostado em uma rocha.
— Por que está acordado tão tarde, pequeno aventureiro? — perguntou Cássio, com voz que soava como seixos rolando na maré baixa.
— Não consigo dormir — disse Leo. — Minha cabeça está cheia de barulhos do dia: a discussão no parque, a lição difícil, o medo de errar.
Cássio fez um som pensativo, clic-clac, com suas pinhas.
— Os barulhos do dia são como ondas bravas. Mas a noite traz as ondas calmas, que arrumam a areia. Vem comigo.
Leo seguiu o caranguejo. Cássio escolheu uma concha grande, em forma de orelha, e a entregou ao menino.
— Encosta-a no seu ouvido. Ela já lavou os barulhos do dia no mar e guardou apenas o sonho.
Leo obedeceu. De dentro da concha, veio um sussurro suave e novo:
— Aventuras numa jangada, vendo golfinhos pintados de lua…
Um sorriso tranquilo apareceu no rosto de Leo. Seus ombros relaxaram. Ele se deitou na areia ainda quente, a concha junto ao coração.
— Obrigado, Guardião — sussurrou, já com os olhos pesados.
Cássio assentiu, satisfeito. Enquanto Leo adormecia, o caranguejo continuou sua ronda, certificando-se de que cada concha estivesse no lugar certo, pronta para oferecer seu sussurro de paz a quem precisasse. O som constante do mar embalou todos os sonhos da ilha.
Moral da História: Mesmo depois de um dia barulhento, podemos encontrar um cantinho de calma dentro de nós, se soubermos escutar.