Era uma vez um jardim que só existia de noite, na ponta do arco-íris da lua. Nele, vivia a Fada do Travesseiro, chamada Mimosa. Ela não tinha asas de borboleta, mas sim duas fofuras de nuvem que a faziam flutuar sem fazer um único ruído.
Todas as noites, Mimosa saía em sua missão mais importante: ajudar os bichinhos a pegar no sono. Ela enchia sua cesta mágica com:
— Um punhado de suspiros de coelho.
— Dois raios de luar prateado.
— E três gotas de canção de grilo.
Com esses ingredientes, ela fazia a poção do sono tranquilo. Sua primeira parada era a toca do Coelho Tião, que vivia pulando de um lado para o outro.
— Não consigo parar, Fada Mimosa! — disse ele, com as orelhas inquietas.
— Sente aqui comigo — sussurrou a fada. — Vamos observar como as sombras dançam na parede. São quietinhas e lentas…
A fada soprou um pouco de poção sobre Tião. Seus olhos começaram a piscar lentamente e suas orelhas afundaram numa almofada de musgo. Ele dormiu, sonhando que perseguia borboletas de algodão.
Depois, Mimosa visitou a família Ouriço, toda encaracolada e preocupada.
— Temos tanto medo do escuro — confessou a mamãe Ouriça.
— O escuro não é um monstro — explicou Mimosa, gentil. — É apenas o pano de fundo para as estrelas brilharem. Olhem…
Ela apontou para o céu. Um a um, os ouriços foram desenrolando seus corpos, fascinados pelo espetáculo de luzes. A poção da fada trouxe um cheiro de terra molhada e flores noturnas, e todos adormeceram sentindo-se guardados.
Por fim, Mimosa voou até a casa de uma criança. Soprou um pouco de sonhos pela fresta da janela e os depositou suavemente sob o travesseiro. A criança sorriu dormindo, abraçando seu ursinho.
O trabalho da fada estava feito. Ela voltou para seu jardim lunar, sabendo que todos estavam seguros e em paz.
Moral da História: A noite é uma amiga que traz descanso, e cada criatura, por mais inquieta que seja, pode encontrar sua própria calma.