No sótão da casa da vovó Lia, havia um Velho Balão de Papel. Ele estava um pouco empoeirado e esquecido. Mas Nina, de sete anos, gostava de visitá-lo.
— Vovó, por que o balão parece tão triste? — perguntou Nina.
— Ah, querida — respondeu a vovó, com olhos que pareciam guardar estrelas —, ele se esqueceu de voar. E todo balão que esquece de voar, também esquece de sonhar.
Naquela noite, enquanto a lua desenhava quadrados de prata no chão do sótão, Nina ouviu um sussurro:
— Você... você poderia me ajudar?
Era o Velho Balão. Sua cesta de vime rangia suavemente.
— O que preciso fazer? — sussurrou Nina de volta.
— Precisamos de um pouco de magia para voar. A magia está nas coisas que fazem seu coração feliz. Pode colocar uma aqui dentro para mim?
Nina pensou com carinho. Primeiro, pegou o riso alto do seu pai, que soava como trovões bons, e colocou na cesta. Depois, foi buscar o cheiro do bolo de baunilha da vovó. Em seguida, trouxe a sensação de ter acertado a tabuada difícil na escola. E por fim, o calor do seu cobertor favorito.
Com cada memória, o Velho Balão ficava mais leve. Linhas douradas começaram a brilhar em seu papel, tecendo mapas de lugares distantes.
— Agora! — disse o Balão. — Suba!
Nina entrou na cesta e, com um suspiro suave, eles flutuaram pela janela do sótão. Voaram sobre colinas que eram como cobertores verdes e rios que cantavam canções de ninar. Até que chegaram a uma ilha flutuante, onde tudo brilhava com uma luz suave.
Era a Ilha dos Sonhos que Brilham. Lá, os sonhos nasciam como flores de luz. Havia sonhos de aventura, que pareciam navios piratas de algodão, e sonhos de amizade, que tinham o cheiro de terra molhada depois da chuva.
— Este é o lugar onde as memórias boas viram sonhos — explicou o Balão, agora radiante. — Toda noite, enviamos alguns para o mundo.
Nina escolheu um sonho suave, que parecia uma nuvem morna, e segurou contra o peito. Quando acordou em sua cama, o sorriso do dia ainda estava em seu rosto. E no sótão, o Velho Balão de Papel já não estava empoeirado. Ele brilhava fraco, lembrando-se, para sempre, de como era voar.
Moral da História: As memórias felizes que guardamos dentro de nós são o combustível para os mais belos sonhos e nos ajudam a encontrar luz mesmo quando nos sentimos esquecidos