Na pequena cidade de Sol Poente, havia uma lenda. Diziam que todas as noites, um barqueiro silencioso navegava pelo Rio da Serenidade, que passava pelos sonhos de cada criança.
Lena, de sete anos, não acreditava. Ela estava com o coração apertado. O primeiro dia em uma nova escola tinha sido difícil, cheio de rostos desconhecidos e corredores grandes.
— Não vou conseguir dormir — sussurrou para seu ursinho, Olavo. — Minha mente está cheia de um friozinho agitado.
Foi então que ela ouviu. Um som suave de água sendo cortada. Olhou pela janela e viu, sob a luz da lua, um barco de madeira clara deslizando pelo rio. Em pé, um homem alto com um chapéu de abas largas empunhava um remo que brilhava como madrepérola.
Era o Barqueiro. Seu barco parou sob a janela de Lena.
— Todo mundo embarca — sua voz soou como o sussurro do vento nos salgueiros. — Traga seu friozinho agitado com você. Aqui, ele se acalma.
Hesitante, Lena fechou os olhos e sentiu o friozinho em seu peito. Ela o imaginou como uma pedrinha cinza e gelada. Com cuidado, jogou a pedrinha no barco.
O Barqueiro sorriu. Mergulhou o remo na água, que era feita de suspiros tranquilizantes e memórias de canções de ninar. A cada remada, a pedrinha de Lena começava a mudar. O cinza escuro virou cinza-claro, depois azul suave. O gelo derreteu, transformando-se em uma luz prateada e quente.
— Veja — disse o Barqueiro. — O medo do novo é apenas coragem que ainda não conhece seu nome.
Ele remou, e a luz prateada subiu, misturando-se às estrelas. Lena sentiu um peso enorme sair de seus ombros. Um boceço longo e profundo a envolveu.
Quando abriu os olhos, estava em seu próprio quarto, mas o barco e o Barqueiro haviam entrado em seu sonho. Agora, ela sonhava que remava seu próprio barquinho no Rio da Serenidade, indo confiante em direção a um novo e brilhante amanhecer.
Moral da História: Até os sentimentos difíceis podem ser transformados em forças calmas que nos ajudam a navegar para frente.