Na Floresta Aconchegante, todas as noites acontecia uma coisa mágica. Quando o sol ia embora, os animais enchiam seus travesseiros.
Mas eles não usavam penas. O Coelho enchia o dele com o cheirinho de cenoura fresca da horta. O Esquilo escolhia o som do vento nas pinhas. E a Ursa Mãe guardava o calor do último raio de sol em seu abraço.
— É o segredo para ter bons sonhos — ela explicava ao seu filhote, Bento.
Bento ficava curioso. Ele adorava seu travesseiro macio, mas queria descobrir seu próprio segredo.
Naquela tarde, ele tinha tido um dia especial. Brincou de esconde-esconde com o Coelho, ajudou o Esquilo a encontrar uma noz perdida e tomou um banho de rio que deixou seu pelo cheiroso.
Ao anoitecer, Bento estava pronto para a grande aventura. Ele fechou os olhos bem apertados e começou a pensar no seu dia.
Primeiro, lembrou da risada do Coelho quando o encontrou atrás do cogumelo gigante. Era uma risada saltitante. Hehehe! Ele pegou aquela lembrança e a colocou dentro do travesseiro.
Depois, veio a sensação da noz redonda em suas patinhas, pesada e lisa. Que legal ajudar um amigo! Ele colocou essa sensação boa também.
Por fim, lembrou do cheiro gostoso do seu pelo limpo, e do beijo de boa noite da Ursa Mãe, mais suave que pétala de flor. Lá foram eles para dentro do travesseiro.
— Pronto! — disse Bento, deitando a cabeça.
Seu travesseiro ficou perfeito! Nem muito alto, nem muito baixo. Era quentinho, cheiroso e fazia um ruído suave de risadas e abraços.
Bento bocejou, satisfeito. Seus olhos se fecharam e ele começou a sonhar. Sonhou que voava sobre a floresta, carregando no colo todas as coisas boas do seu dia.
E assim, Bento descobriu que o melhor segredo não é dado, é guardado por nós, no coração, todas as noites.
Moral da História: Os melhores ingredientes para um sono tranquilo são as lembranças felizes que coletamos durante o dia