3 a 5 anos 12 min de leitura

O Tesouro do Pirilampo

Compartilhar
O Tesouro do Pirilampo

Na clareira da Floresta do Sussurro, vivia um pirilampo chamado Lino. Diferente de seus irmãos, que piscavam verdes e amarelos, a luz de Lino era de um azul prateado e muito suave.

— Para que serve uma luz tão fraca? — riam os outros.
— Você nunca vai iluminar uma festa!

Lino ficava triste, mas todas as noites ele praticava. Ele descobriu que, quando piscava seu azul suave, os passarinhos bebês paravam de piar e os coelhinhos novinhos bocejavam.

Uma noite, o pequeno ouriço Tico não conseguia dormir. Seu espinho havia se embaraçado num caracol seco durante o dia, e ele ainda se sentia todo “desarrumado” por dentro.

— Mamãe, minha cabeça não para! — choramingou Tico.

Foi então que a mãe ouriça lembrou-se de Lino. Ela foi até a clareira e sussurrou seu pedido. O pirilampo azul aceitou imediatamente.

Lino voou até a toca de Tico e pousou na ponta de seu nariz molhado.

— Olá, Tico — disse Lino, com voz de pena de passarinho. — Eu não sirvo para grandes festas. Mas sirvo para uma coisa especial: encontrar tesouros perdidos na bagunça do dia.

— Tesouros? — perguntou Tico, interessado.

— Sim. Vou piscar bem devagar. Para cada piscada, você tenta se lembrar de uma coisa boa de hoje.

Pisc. Lino brilhou em azul. Tico lembrou do sabor do morango que comeu no almoço.

Pisc. Outro brilho. Tico lembrou do cheiro da terra depois da chuva.

Pisc. Mais um. Ele lembrou da história que sua mãe contou.

A cada lembrança, um nó de preocupação em seu coração se desfazia. A luz azul de Lino parecia envolvê-lo numa rede de paz. Os olhos de Tico ficaram pesados.

— Obrigado, Lino — bocejou ele. — Sua luz é a mais preciosa de todas.

Lino piscou uma última vez, orgulhoso, e guardou aquele “obrigado” como seu verdadeiro tesouro. Enquanto Tico dormia profundamente, ele soube que cada um tem uma luz especial para oferecer ao mundo.

Moral da História: Nossa força mais valiosa nem sempre é a mais brilhante, mas aquela que acalma e traz paz

Próxima História